|
"No contexto de economia aberta, determinada pelo Mercado Único Europeu, o enquadramento funcional e estratégico dos territórios é fundamental, para que os mesmos possam dispor de capacidade competitiva e, simultaneamente, garantir a sua presença na divisão do trabalho, na captação de investimento e na criação do emprego, à escala local.
O problema que ao longo dos últimos anos se tem colocado, tanto ao Vale do Douro como à zona mais ocidental da Província de Salamanca (conhecida como Abadengo), é o completo encravamento de ambos os territórios e excentricidade dos mesmos aos grandes eixos de circulação, com consequências directas no agravamento do seu carácter estanque aos fluxos de investimento externo, e ausência de oportunidades de crescimento e emprego, numa série de tendências regressivas, relativamente às quais nem a classificação do Vale do Douro como “Património Mundial”, a criação do “Parque Arqueológico do Côa” ou a institucionalização do “Parque de los Arribes”, têm conseguido de todo inverter.
A reabertura da fronteira ferroviária do Douro constitui, em múltiplas vertentes, a oportunidade soberana para dotar toda a região de um eixo de circulação internacional, capaz de a reposicionar, de forma decisiva no mercado da Península Ibérica. Recorrendo-se a um investimento de reabilitação e modernização particularmente reduzido, quando comparado com outros – designadamente obras públicas de índole rodoviária – é possível abrir aos mercados externos mais vastos todo um potencial turístico transfronteiriço, por ora subvalorizado.
E simultaneamente, perspectivar o estabelecimento no médio prazo, de um novo corredor logístico, ligando directamente o Grande Porto a Madrid e à Europa além-Pirinéus, sem esquecer a extensão da Rede de Plataformas Logísticas de Castilla-y-León (CYLOG) a Vega de Terrón, conferindo assim a Salamanca e Valladolid, uma saída Atlântica para cargas contentorizadas, posicionada a uma distância de respectivamente 136 e 250 Km, de trajecto terrestre. Num quadro institucional de curto prazo, em que se prepara o lançamento de “Ecotaxas” e “Europortagens” sobre o transporte rodoviário de mercadorias, mas ao mesmo tempo se liberaliza o sector ferroviário, abrindo a exploração a múltiplos operadores, de passageiros, logísticos e turísticos, uma Linha Internacional do Douro, completamente reabilitada e modernizada, é, de todos os investimentos transfronteiriços possibilitados pelo QREN, o que é mais susceptível de alterar por completo a geografia de uma vasta territorialidade, compreendida entre o Atlântico e os Planaltos de Castilla-y-León, catapultando-a num novo vigor, para os desafios que o séc. XXI impõe."
Manuel Tão
Especialista em Economia de Transportes

VOLTAR A PÁGINA DE TESTEMUNHOS
|
|