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"O projecto de construção das linhas do Douro e Minhho revela o esforço realizado em Portugal na segunda metade do séc. XIX para dotar o país de vias rodo e ferroviárias que satisfizessem as necessidades da Revolução Industrial.
Este empenho tinha por objectivo acelerar o progresso do país e facilitar as comunicações com a Europa, este um dos principais propósitos. Em 1862 Sousa Brandão foi incumbido pelo Governo de reconhecer o terreno entre o Porto e a Régua.
O Douro chamava logo a atenção pela riqueza dos seus produtos, principalmente a Régua, dado o tráfego que vinha para o Porto, pelo rio e pela estrada e que o caminho de ferro podia transportar em melhores condições económicas e de velocidade.
A construção das linhas do Minho e Douro foi autorizada em 2 de Julho de 1867, mandando-se fazer por conta do Estado.
Por indefinição quanto ao local de ligação destas linhas com a do Norte (futuras estação de serviço comum e Ponte Maria Pia), só em 1872 foi apresentado o projecto definitivo das duas linhas (encontrando-se em Campanhã, sendo o traçado comum até Ermesinde) e se mandou estudar o traçado até ao Pinhão.
Os trabalhos de construção iniciaram-se em 1873, deles se encarregando a Direcção do Caminho de Ferro Douro, bem como da do Minho se encarregou a Direcção do Caminho de Ferro do Minho.
Se Braga recebera o primeiro comboio que circulou a norte do Douro em 20 de Maio de 1875, logo em 29 Julho de 1875 o caminho de ferro chegou a Penafiel e em Dezembro a Caíde.
Como o andamento dos trabalhos na linha do Douro não tinham o mesmo ritmo dos da do Minho, em 1877 foi criado o comando único para a construção, na Direcção do Caminho de Ferro do Minho e Douro.
Com a unificação, os trabalhos evoluíram: o comboio chegou ao Juncal em Setembro de 1878 e à Régua em Julho de 1879, depois de ultrapassada a barreira do maior túnel da linha. O Ferrão recebeu em Abril de 1880 e o Pinhão em Maio seguinte.
Em Maio de 1878 o Governo mandou elaborar o projecto definitivo entre o Pinhão e Barca d'Alva e em 1882 apoiou um grupo de investidores do Porto na cosntrução das linhas de Salamanca a Barca de Alva e a Vilar Formoso.
Mas tanto a construção da ponte sobre o Tua, como as negociações para a construção da ponte internacional sobre o Águeda atrasaram a conclusão da parte final da linha.
O projecto da ponte, mandado fazer aos Caminhos de Ferro do Minho e Douro, foi aprovado em 1886 pelos Governos portugues e espanhol.
Em Janeiro de 1887 abriu à circulação pública do troço entre o Tua e o Pocinho, chegando o comboio ao Côa em Maio.
Em Dezembro foram inaugurados o troço até Barca d´Alva, a ponte internacional e a ligação a Salamanca.
Pelo número de obras de arte (25 pontes, 22 tuneis e 7 passagens inferiores) esta linha, a primeira a ser construída pela engenharia portuguesa, constitui uma das grandes obras públicas da época do "FONTISMO".
Dra. Rosa Gomes - Responsável da CP pelos Projectos Culturais

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